Projecto CEPF

30/04/2018

O projecto de Protecção das espécies ameaçadas e endémicas em Cabo Verde é o maior projecto de conservação que a Biosfera 1 se propôs realizar. Financiado pelo CEPF (Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos), o projecto terá duas fases distintas. Uma 1ª fase de avaliação e preparação que decorreu entre 2013-2014 e uma 2ª fase de implementação com o objectivo principal restauração completa da Reserva de Santa Luzia e Ilhéus Branco e Raso.

 

 

 

Os principais objectivos deste projecto de restauração são:

 

1. Estudar e monitorizar as espécies presentes na Reserva;

 

2. Preservar e melhorar a biodiversidade existente;

 

3. Aumentar a área de distribuição da Calhandra-do-Raso (Alauda Razae);

 

4. Estabelecer medidas de bio-segurança e remover as espécies invasoras;

 

5. Melhorar o estatuto de conservação das tartarugas-marinhas.

 

 

 

 

 

 

 

 

Dada a sua complexidade técnica, é um projecto abrangente e multi-facetadao que conta com vários parceiros como a SPEA (Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves), RSPB (Royal Society for the Protection of Birds), a Universidade de Cambridge, o Parque Natural da Madeira, a PII (Pacific Invasives Initiatives), e a Universidade de Cabo Verde. O projecto depende também da cooperação de entidades relevantes (como a Direção Nacional do Ambiente), das comunidades piscatórias locais para poder alcançar os seus objectivos com sucesso.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fases  

 

1ª Fase

Em Março de 2013 iniciou-se a primeira fase. São várias as acções que terão de ser implementadas pelos parceiros de projecto, tais como:

 

 

 

a) Manter a protecção dos locais de desova de tartarugas e as colónias de cagarras;

 

b) Estudos sobre a vegetação das ilhas e das densidades e dietas de gatos e ratos-domésticos (Mus muluscus) introduzidos em Santa Luzia;

 

c) Monitorização em detalhe de todas as espécies terrestres, para que se possam avaliar com segurança as alterações que se venham a verificar numa fase futura;

 

d) Estudos sobre as comunidades de répteis, ricas em endemismos e com espécies de elevada importância;

 

e) Monitorização e estudo de a biologia de as aves marinhas e terrestres.

 

 

 

 

 

 

 

2ª Fase

A segunda fase deste projecto prevê-se iniciar em 2014 para remover os gatos de Santa Luzia, a ilha principal, e de seguida translocar alguns indivíduos de Calhandras do Raso para aqui, para que se possam estabelecer um segundo núcleo populacional e assim assegurar melhores condições e probabilidades de sobrevivência da espécie.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Componentes do Projecto

Componente 1
Preparar a remoção das populações selvagens de predadores introduzidos em Santa Luzia.
1.1. Investigação pré-erradicação;
1.2. Plano operacional;
1.3. Identificar potenciais fontes de financiamento.

Componente 2
Avaliar a ameaça da população de ratos-domésticos e avaliar a possibilidade da sua erradicação.
2.1. Protocolo de controlo e monitorização de rato-doméstico;
2.2. Avaliar a viabilidade da erradicação de rato-doméstico em Santa Luzia.

Componente 3
Estatuto de conservação melhorado e/ou perspectivas para a endémica e criticamente ameaçada
Calhandra-do-Raso.
3.1. Continuar o programa de monitorização e pesquisa sobre a população de
Calhandra-do-Raso;
3.2. Testes com
Calhandra-do-Raso para avaliar a resposta das aves ao manuseio, travessia marítima e confinamento;
3.3. Use os resultados de 3.1 e 3.2 para preparar um plano de translocação da
Calhandra-do-Raso.


 

Componente 4
      Protecção total dascolónias de aves marinhas no ilhéu Raso e Branco e planos de recuperação para Santa Luzia.
 4.1. População de base e estimativas de distribuição de aves marinhas no Raso, Branco e Santa Luzia;
      4.2. Plano de recuperação das colónias de aves marinhas na Ilha de Santa Luzia;
      4.3. Protocolo de monitorização para detecção de alterações no número de aves marinhas ao longo do tempo.


Componente 5
          Protecção efectiva de tartarugas marinhas e répteis terrestres em Santa Luzia e aumento das suas populações.
  5.1. Dados sobre a população de referência para tartaruga-marinha-comum (Caretta Caretta) e répteis terrestres (ex: Osga gigante - Tarentola gigas);
  5.2. Plano para melhorar o estatuto de conservação dos répteis nativos terrestres e da Tartaruga-marinha-comum;

 

 


Componente 6
Consciencialização pública e educação ambiental apresentando estas ilhas como exemplos de restauro de habitats e valor para a biodiversidade.
6.1. Página web do projecto;
6.2. Conhecimento público aumentado;
6.3. Plano de comunicação;
6.4. Protocolo de biossegurança.


Componente 7
Desenvolvimento organizacional da Biosfera 1 e cidadania na região.
7.1. Biosfera 1 plena e activamente envolvida na implementação do plano de Gestão para a área marinha protegida.

Componente 8
Assegurar o legado do projecto.
8.1. Uma estratégia de continuação do projecto;
8.2. Propostas de financiamento para permitir a implementação da Fase 2.

 

 

 

Resultados

 

Durante todo o ano, de Abril de 2013 a Março de 2014, estudou-se a abundância de ratos na ilha Santa Luzia com armadilhas e usando o método de monitorização de captura-recaptura. No total, 76 ratos foram capturados e 49 recapturas registados ao longo do ano. O mês com mais ratos capturados foi Fevereiro com 20 indivíduos capturados na zona sul da ilha. De setembro a Dezembro poucos ratos foram capturados, com exceção de algumas capturas em Novembro e 4 recapturas em Setembro.

 

 

 

O valor máximo do índice de abundância (Al) foi 0,06 e 0,067 capturas /armadilha/noite em Fevereiro e Março, respectivamente. A média do índice de abundância durante todo o ano, incluíndo todas as áreas foi de 0,026. Os índices de abundância foram significativamente diferentes entre 2013 e 2014 (W(1)=14,68, (p<0,01)). As regiões norte e sul não mostraram uma diferença significativa (W (1) = 1,97, (p = 0,16)) quanto aos índices de abundância calculados.

 

 

 

 

 

 

As abundâncias de ratos encontrados foram substancialmente inferiores às encontradas por um estudo preliminar (AI=0,053) que teve lugar em 2010 na mesma área, mas também aos índicces encontrados em ilhas semelhantes da Macaronésia semelhantes, onde AI anual variou entre 0,29 no Bugio (2006 e 2007) e 0,61 no Ilhéu da Cal (2009 e 2011) (dados não publicados Paulo Oliveira).

 

A população de ratos local é sujeita a grandes variações na densidade e abundância, devido às condições extremas e fenômenos meteorológicos ocasional (inundações temporárias), bem como a falta de alimentos. A população de ratos deve continuar a ser monitorizada no futuro e o impacto sobre a fauna e flora endêmicas devem ser  avaliados​​.

 

 

 

 

Rodrigues I, Geraldes P, Oliveira N, Oliveira J & Melo T (2014). Estimating population density of rodents in a deserted island and its variation along the year - Situation of mice and rats in Santa Luzia, Cabo Verde. Póster em pdf

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 








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